Hoje a sugestão é um clássico do jazz “moderno”. O moderno entre aspas se deve ao fato de que o disco não é novo (1959), mas mais pela sua estética, inovadora para o jazz da época, e pela sua conexão com a arte moderna (a capa do disco é auto-explicativa). O jazz, até então, não tinha por hábito utilizar formas de compasso diferentes dos tradicionais 4/4 ou 3/4.
Aqui, como o próprio nome já sugere, o tempo é o ponto a ser trabalhado. O disco já começa com uma pedrada intitulada ‘Blue Rondo a la Turk. A música é um 9/8, que, normalmente, seria um compasso ternário composto (3+3+3), mas tem uma acentuação diferente (2+2+2+3). Isto muda completamente a sensação que ela passa. Outra ponto marcante e talvez a música mais conhecida do disco é Take Five, um tema composto em um 5/4 (3 + 2), compasso este até então não utilizado no jazz. No mais, temos diversos outros exemplos de brincadeiras e experimentações rítmicas. Em Kathy’s Waltz temos a princípio um tema em 4/4, que depois “vira” uma valsa (3/4), porém a bateria acentuando um compasso 4/4, ou que gera uma polirritmia muito interessante. Enfim, mesmo sem pensar em tudo isso, é um baita disco. Vale ouvir de cabeça aberta e ouvidos atentos.
