12/06/2014 – Chico Buarque (1966)

Esta última semana, ou último mês, não se fala ou pensa em outra coisa que não a copa do mundo tupiniquim. Uns criticam e vociferam contra o envento, enquanto outros se preparam para curtir o espetáculo e viver um grande carnaval. Naturalmente que a sugestão da semana será sobre este polêmico evento….

Eu confesso que sempre gostei de futebol e acompanhei copas com uma certa euforia. Comemorei os títulos da seleção, assim como xinguei quando o Roberto Carlos levou bola nas costas porque ficou ajeitando a meia, quando o Dunga não arrebentou o Maradona antes de ele deixar o algoz Caniggia na cara do gol e enterrar o sonho de mais um caneco. Mas também confesso que quando a festa virou nossa eu me desanimei. Foram tantos desmandos, tantas obras desnecessárias e superfaturadas, tantos abusos oficiais, tanta mentira propagada pela mídia oficial, tantas pessoas desalojadas para a “festa” ser mais “limpinha” e tanta alegria empurrada goela abaixo por um Estado que se mostra cada vez mais opressor que o encanto da copa morreu antes mesmo de nascer. Em meio a este paradoxo veio a Sugestão desta semana. Na verdade, pra mim, este é um disco que traduz perfeitamente o meu sentimento em relação a este evento.

É o primeiro disco do Chico Buarque, que, naturalmente, dispensa qualquer apresentação. Mas a escolha deste album se deve principalmente ao caráter melancólico do samba do Chico, que, como o mestre Vinícius certa vez disse

“pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não”.

Esta copa me soa como um carnaval aonde os donos dos camarotes enchem o “pandulho” de grana e nós ficamos assistindo a “banda passar” narrada pelo Galvão, porém sei que “tem mais samba no som que vem da rua”. É como se ficássemos como “ela e sua janela” assistindo as pessoas viverem suas vidas e esquecemos de viver e brigar pela nossa. E aí, nessa janela, vemos a “Madalena ir ao mar e ficamos nós a ver navios”, com o tal Pedro que ficava

“Esperando a festa
Esperando a sorte
Esperando a morte
Esperando o norte
Esperando o dia de esperar ninguém
Esperando o trem, que já vem…”

E o “dia melhor” e o país do futuro segue chegando amanhã. Aí tentam nos dar um motivo para não chorar ainda não, “porque eles tem uma razão….” até constatarmos que

“O sol chegou antes do samba chegar
quem passa nem liga
Já vai trabalhar”

e nós, meu caro, já podemos chorar. Assim como o Juca antevejo a “noite virar dia e o luar de prata virar chuva fria”, e assim, neste carnaval, pra mim, antes que eu pudesse “deixar a dor em casa e brincar vestido de rei”, o pano já caiu, muito antes da sexta de folia. Neste carnaval, desengano…

Bom, vamos ao som..

 

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